domingo, 8 de fevereiro de 2009

Centenário de nascimento

Cem anos de Dom Hélder,
o Dom da Paz



Por Eduardo Ferraz


Neste sábado (7), toda a mídia lembrou-se de uma pessoa de grande importância na história do Brasil - Dom Helder Câmara. Foi um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, grande defensor dos direitos humanos durante o regime militar brasileiro e integralista.

Há cem anos nascia em Fortaleza, no Ceará, Dom Hélder Câmara, o religioso que defendeu os pobres, a justiça e a paz entre os povos. Tornou-se líder contra o autoritarismo e pelos direitos humanos. Pregava no Brasil e no exterior uma fé cristã comprometida com os anseios dos empobrecidos. Foi perseguido pelos militares por sua atuação social e política, sendo acusado de comunismo. Foi-lhe negado o acesso aos meios de comunicação social durante o governo militar. Apesar disto, foi um grande orador, tornando-se conhecido, sobretudo no exterior, onde divulgou amplamente suas idéias.

Em 1932, aderiu ao Integralismo, movimento que viria a abandonar cinco anos depois, quando se instaurou a ditadura Vargas, golpe que pôs na ilegalidade todos os partidos políticos. Ainda vestindo a camisa verde integralista foi trabalhador ativo da Liga Eleitoral Católica do Ceará, foi secretário do Departamento de Educação do Estado, cargo equivalente ao de Secretário Estadual e nomeado pelo governador do Ceará.

Em 1936, padre Hélder vai morar no Rio de Janeiro, onde é nomeado assistente técnico do Secretariado de educação do então Distrito Federal. É nomeado pelo arcebispo do Rio, Dom Sebastião Leme, diretor do Ensino Religioso e da Renovação Catequética do arcebispado e, em seguida, torna-se inspetor de ensino do Ministério da Educação. Posteriormente, torna-se membro do Conselho Superior de Ensino. Enquanto esteve no Ministério da educação, paralelamente é conselheiro da Nunciatura Apostólica.

Com o fechamento da Ação Integralista Brasileira Dom Hélder foi duramente perseguido e teve que ser escondido várias vezes pelos amigos para não sofrer atentados dos seus ex-correligionários, que chegavam a matar os dissidentes. Isso ajudou a formar a sua convicção pacífica e democrática, serena e favorável ao diálogo entre os diferentes que caracterizou a sua trajetória seguinte, marcada também pela defesa do engajamento dos católicos na busca de melhores condições de vida para as classes populares, de justiça e de paz em nosso país.

Sua militância no Integralismo é freqüentemente escondida pelos historiadores e pela imprensa, que vêem o período como uma suposta fase sombria na história de Dom Hélder, mas estes mesmos ao omitir a participação de Dom Hélder no Integralismo não conseguem explicar de onde vieram suas convicções humanistas e pacifistas. Basta ver que o Integralismo, um movimento que já nas primeiras décadas do século XX significava a soma de todas as raças e povos, era pacifista e aceitava em suas fileiras mulheres e judeus, muito além de seu tempo, sintetizava bem o pensamento de Dom Hélder.

Morreu em sua casa, no Recife, às 22h20 de 27 de agosto de 1999, vítima de insuficiência respiratória aguda, decorrente de uma pneumonia, depois de haver passado cinco dias hospitalizado. Uma multidão acompanhou o seu corpo que foi conduzido, em carro do Corpo de Bombeiros, até a Igreja da Sé, em Olinda, onde foi sepultado. Pregava uma igreja simples voltada para os pobres e a não-violência. Por sua atuação, recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais. Foi indicado quatro vezes para o Prêmio Nobel da Paz.


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